segunda-feira, 31 de março de 2014

Ser um nada.

Recife, 25 de Agosto de 2010

Meu querido,
Eu só me lembro dos gritos, nada mais, meu corpo ainda possuem marcas, porém se fosse apenas isso, com o tempo todas elas iriam sarar, mas a minha alma, esta cravada pelo abuso cometido por ele.
14 de Janeiro de 1998, sair de casa com a noticia de que alguns croatas foram presos pelo massacre de mais de 100 Muçulmanos, achei aquilo um absurdo, como tão poucos homens podem ter torturado tanta gente, porém não tive muito tempo para pensar na noticia, estava atrasada meus amigos buzinavam lá embaixo, eu iria a uma festa, a festa mais esperada do ano, um fim de um relacionamento tão longo, algumas semanas enclausurada, precisava me divertir, melhor se não tivesse ido.
 Estava calor, algumas cervejas, nada demais, só pra balançar o corpo um pouco mais livre, ele estava ali, já tinha tinha o visto, nada demais, ele ainda era um homem bonito, mais estava comum para o meu estado de espirito, se aproximou nem dei atenção, ele riu, insistiu me tirou pra dançar, fui, um papo agradável, um olhar sedutor.
Precisei ir ao banheiro, ele me pagou uma bebida, depois nada...
Lembro dos gritos, reconheci o quarto, quantas noites passei ali sobre aqueles lençóis, entre cigarros e risadas sem fim, mais nesse dia estava tudo diferente, eu estava presa, eu não queria estar ali, eu não conseguia me mover para nenhum lado se quer, ele estava louco...
Lembro-me bem dos gritos, a cada vez que eu conseguia gritar, seus braços tentavam prender minha boca, tapas, arranhões, ele me usou naquela noite, mais do que deveria, mais do que eu sabia do que seria capaz de aguentar um dia, aquela noite seria a pior de todas as noites...
Voltei aos trapos, horas num banho interminável, torci pra que naquele dia ele tivesse acabado com a minha vida ali, mais não, passei anos sem coragem de falar sobre isso, mais você entrou em minha vida e eu precisei sumir, vivia sobre ameaças, perseguições doentias, mais eu lhe amava, minha vida havia virado um inferno, e você não sabia de nada que tinha ocorrido comigo a menos de um ano atrás, mas você iria ficar a salvo, acima de tudo a você eu pude proteger...
Hoje mais de 10 anos depois eu lhe envio essa carta, nem sei se você um dia ira ler, nem se você mora na mesma casa, porém eu precisava lhe contar, me desculpar, lhe explicar, só lhe magoei por que eu saberia que seria a menor das dores e que eu seria o menor dos seus amores.

sábado, 29 de março de 2014

Eles.

Pedro gritava comigo sempre que se via confuso, nem ele entendia suas proprias palavras, eu as ouvia, atenta, fui a mulher que teve paciência pras suas loucuras, porém num certo dia ele sumiu, sempre digo que ele se perdeu, não achou o caminho de casa, até hoje guardo suas figurinhas da Marvel. Carlos era um namorado de colégio, mesmo com quase 30 anos tinha aquele fogo de um adolescente, me levava ao orgasmo com mais facilidade que qualquer um, era perito no sexo, infelizmente não só comigo,cansei das suas aventuras, o embrulhei numa caixa e mandei de volta, até hoje não houve devolução do produto. Ricardo me escrevia cartas, todos os dias, me mandava flores, chocolates, tocava violão e me recitava poemas, me sentia uma princesa, minhas amigas diziam que eu era uma mulher de sorte, então ele viajou pra Italia e conheceu o seu Romeu, se apaixonou, hoje são casados, fui ao casamento, não guardo magoas, não saberia viver com todo aquele romantismo por muito tempo mesmo. Julio eu conheci no carnaval, não lembrava seu nome, até nos encontrarmos em plena chuva numa segunda-feira, não durou muito tempo, ele me deu meu filho, mais morreu pouco tempo depois que o menino nasceu, ele sempre dizia que amores de carnaval passam rápido para que não percam a magia, ele sabia. Felipe, não tinha grandes talentos, nem grandes sonhos, não foi o mai bonito, não jogava bola, suas criticas politicas deixavam a desejar, curtia um rock comum, comidas comuns, lugares comuns, não tinha grandes historias, mal fazia planos, porém me fazia rir, todos os dias me fazia rir, reclamava das minhas roupas, porém não me obrigava a muda-las, falava dos meus amigos e sempre bebeu com eles, criou o meu filho e foi ficando e eu fui me adaptando e nunca partiu, pois as melhores historias de amor são simples e cabem perfeitamente dentro da gente.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Um desabafo mais do que real

Na verdade voltei a escrever por um único real motivo: não sei sentir nada! Do amor ao ódio, não sei sentir, sou desastrada demais, aluada demais, realista ou sentimentalista demais, tudo em excesso. Em 2008 criei meu primeiro blog existia um homem por tras das minhas palavras, ele me fez entender que o que não se consegue dizer escreva, então criei meu segundo vicio, (o cigarro já era meu grande amigo) a partir dai escrever virou rotina, escrevia desilusões, amigos, família, tudo e todos. Isso parecia bom e seguro até o momento em que notei que eu me escondia atras das palavras, perdi pessoas por conta disso, perdas incalculáveis, perdas que me fazem falta, porém eu nunca aprendi a correr atras do que eu quis, do que eu sentia, uma patética covarde. Hoje, capricorniana, 23 anos, desempregada, apaixonada, insegura, ansiosa, tendo combater esse deficit social, agir mais, devo alguns cafés, uns pedidos de desculpas, algumas reconciliações, tudo anotado na minha imensa agenda mental, um dia me curo desse carma e pago minhas dividas... Até la, apenas leiam meu desabafo e aos que se sentirem confusos como eu uma dica: ESCREVA! Pelo menos você terá a certeza que agora será um covarde poético.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Bêbada largada no chão da sala em uma terça-feira sem graça, foi a sua infeliz lembrança de novo, me fazendo pensar quantas merdas eu cometi em minha vida. Já se passaram 10 anos, contados e recontados por mim, e desde que você se foi meu único medo era de morrer sozinha, me adaptei a outros homens, ardi em seus braços, gozei varias e varias vezes, me apaixonei, casei, larguei e nenhum deles me proporcionou a loucura da sua presença. Meus vicios se tornaram minha única companhia, meus amigos evitam ler essas frases, eles sabem da minha covardia e você também, você sempre soube, eu sou fraca e culpada uma combinação que nunca daria certo. Desisti de lhe esquecer, só não gostaria mais de sentir, eu sei que ainda lhe confundo, lhe devo explicações, porém já é tarde, vejo algumas sombras passarem por baixo da minha porta e nenhuma delas seria você, assim que esse mal estar passar eu ligarei, marcarei um café, tentarei lhe dizer, mais só depois, agora não dá, quem sabe quando meu medo passar.